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João Cláudio Todorov
Universidade de Brasília, 1981
"There is no way to define the subject matter of psychology so that
the definition will please all psychologists. Any definition turns out
either too exclusive to be useful or too general to be meaningful. Yet
some approximate lines of demarcation may be sketched in".
(Marx e Hillix, 1963, p.31)
Definições de psicologia têm variado no tempo e de
acordo com as características de seus autores. Problemas surgidos
no âmbito da filosofia ou da ciência refletem-se em várias
dessas definições. A questão mente/corpo, por exemplo,
tem influenciado diretamente. Marx e Hillix (1963) sumarizam em uma tabela
as grandes soluções filosóficas para esse problema,
identificando os autores a elas associados:
Posições e Escolas
Soluções
DUALISMO1
Interacionismo Cartesiano (Descartes, 1641). Dois processos separados
e interatuantes
Paralelismo Psicofísico (Spinosa, 1965) Dois processos separados
e independentes, mas perfeitamente correlacionados.
Ocasionalismo
(Malebranche, 1675)
Dois processos separados e interdependentes, correlacionados pela intervenção
de Deus.
MONISMO2
Materialismo (Demócrito, 400 A.C.) Uma única realidade física
subjacente.
Idealismo subjetivo (Berkeley, 1710) Uma única realidade mental
espiritual subjacente.
Fenomenalismo (Hume, 1740) Não há nem mentes nem corpos:
até onde se pode saber, existem apenas idéias que resultam
das impressões dos sentidos.
COMBINAÇÕES
Visão de duplo aspecto (Russel,1915) Dois processos pressupostos
como uma função de uma única realidade subjacente.
Epifenomenalismo
(Hobbes, 1658) A mente como uma subproduto não-causal do corpo.
Definições de Psicologia têm variado no tempo e de
acordo com as características de seus autores. É muito conhecida
a definição de psicologia como o estudo da mente. Entre
outros problemas, esta definição coloca a questão
de saber-se o que é a mente para que a definição
seja inteligível. Alguns preferem referir-se a uma vida mental,
um conceito aparentemente menos estático do que "mente".
A psicologia seria a ciência da vida mental, o que quer que venha
a ser "vida mental". Outros, mais preocupados com o significado
e as implicações dos termos incluídos em uma definição,
afirmam ser a psicologia, o estudo do comportamento. Esta definição,
como as anteriores, antes de explicar algo, levanta a necessidade de outra
definição; neste caso, a definição de comportamento.
Indiferentes às deficiências das definições
mencionadas, há os que se preocupam com uma definição
que contente a mentalistas e a comportamentalistas. Para estes, a psicologia
seria o estudo do comportamento e da vida mental. Contudo, a reunião
em uma mesma frase de dois termos indefinidos não melhora uma definição.
Em lugar de colocar um problema de cada vez e contentar a pelo menos uma
das partes, esta definição descontenta a um só tempo
mentalistas e comportamentalistas.
Preferimos, portanto, caracterizar a psicologia desde um ponto de vista,
e tentar depois, mostrar como essa caracterização é
compatível com os variados tipos de atividades do psicólogo
na atualidade dos anos 80. Não afirmamos que seja possível
ou desejável uma tradução simples das várias
linguagens e teorias correntes; estamos afirmando que este trabalho é
uma tentativa de caracterizar a psicologia do ponto de vista de uma análise
do comportamento e de mostrar como o que se faz na área da psicologia
é compatível com essa caracterização.
1.1- Comportamento e interação
"Science, and psychology as part of it, studies relationships. What,
then, does psychology study in relation to responses? the answer seems
to be: nearly every thing can be related".
(Marx & Hillix, 1963, p.32)
A psicologia estuda interações de organismo, vistos como
um todo, com seu meio ambiente (Harzem e Miles, 1978). Obviamente não
está interessada em todos os tipos possíveis de interações
nem em quaisquer espécies de organismos. A psicologia se ocupa
fundamentalmente do homem, ainda que para entendê-lo, muitas vezes
tenha que recorrer ao estudo do comportamento de outras espécies
animais. (Kelller e Schoenfeld, 1950). Quanto às interações,
estão fora do âmbito exclusivo da psicologia aquelas que
se referem a partes do organismo, e são estudadas pela biologia,
e as que envolvem grupos de indivíduos tomados como unidade, como
nas ciências sociais. Claro está que a identificação
da psicologia como distinta da biologia e das ciências sociais não
se baseia em fronteiras rígidas: as áreas de sobreposição
de interesses têm sido importantes a ponto de originar as denominações
de psocofisiologia e psicologia social, por exemplo. As interações
organismo-ambiente são tais que podem ser vistas como um "continuum"
onde a passagens da psicologia para a biologia ou para as ciências
sociais é muitas vezes questão de convencionar-se limites
ou de não se preocupar muito com eles.
Nesta caracterização da psicologia, o homem é visto
como parte da natureza. Nem pairando acima do reino animal, como o viram
pensadores pré-darwinianos, nem mero robô, apenas vítima
das pressões do ambiente, na interpretação errônea
feita por alguns autores, de um comportamentalismo insxistente.
"Os homens agem sobre o mundo, modificam-no e, por sua vez, são
modificados pelas conseqüências de sua ação.
Alguns processos que o organismo humano compartilha com outras espécies
alteram o comportamento para que ele obtenha um intercâmbio mais
útil e mais seguro em determinado meio ambiente. Uma vez estabelecido
um comportamento apropriado, suas conseqüências agem através
de processos semelhantes para permanecerem ativas. Se por acaso, o meio
se modifica, formas antigas de comportamento desaparecem, enquanto novas
conseqüências produzem novas formas." (Skinner, 1978,
p.15)
Esta visão da natureza humana nem é nova, nem é exclusiva
da psicologia do comportamentalismo. O que torna a moderna análise
do comportamento distinta é seu uso e a exploração
das possibilidades que a visão oferece para o estudo de interações
organismo-ambiente.
1.2- Níveis de interação organismo-ambiente
As interações organismo-ambiente têm, historicamente,
caracterizado áreas da psicologia, dependendo de quais sub-classes
de interações são consideradas. Ainda que uma divisão
do meio ambiente em externo (o mundo-fora-da-pele) e interno (o mundo-dentro-da-pele)
seja artificial, pois não tem que haver necessariamente dicotomia,
evoluiu até o presente como áreas mais ou menos independentes,
especializadas em interações principalmente envolvendo o
meio ambiente externo (psicofísica, por exemplo) ou com ênfase
exclusiva no meio ambiente interno (abordagens psicodinâmicas de
personalidade, por exemplo). Tanto o ambiente externo quanto o interno
têm sido também dicotomizados. Quanto ao ambiente externo,
há áreas da psicologia especializadas no estudo de interações
organismo-ambiente externo físico (ergonomia, por exemplo), outras
voltadas para uma interação organismo - ambiente externo
social (psicologia organizacional). Já o ambiente interno é
visto como biológico em áreas como a psicofisiologia, ou
histórico, nas áreas que se ocupam de processos internos
conceituais sem referência imediata a um substrato biológico.
QUADRO I
Físico
Externo{Social
Interações organismo - ambiente{Biológico
Interno{Histórico
1.2.1- Ambiente externo
"O comportamento altera o meio através de ações
mecânicas, e suas propriedades ou dimensões se relacionam
freqüentemente, de uma forma simples, com os efeitos produzidos.
Quando um homem caminha em direção a um objeto, ele se vê
mais próximo deste; quando procura alcançá-lo, é
provável que se siga um contato físico; se ele o segura,
levanta, empurra ou puxa, o objeto costuma mudar de posição,
de acordo com as direções apropriadas. Tudo isso decorre
de simples princípios geométricos e mecânicos.
Muitas vezes, porém, um homem age apenas indiretamente sobre o
meio do qual emergem as conseqüências últimas de seu
comportamento. Seu primeiro efeito é sobre outros homens. Um homem
sedento, por exemplo, em vez de dirigir-se a uma fonte, pode simplesmente
pedir um copo d'água, isto é, pode produzir um comportamento
constituído por certo padrão sonoro, o qual por sua vez,
induz alguém a lhe dar um copo d'água. Os sons em si mesmos
são facilmente descritíveis em termos físicos, mas
o copo de água só chega ao falante como conseqüência
de uma série complexa de acontecimentos que incluem o comportamento
de um ouvinte. A conseqüência última, o recebimento
de água, não mantém qualquer relação
geométrica ou mecânica com a forma do comportamento de "pedir
água". Na verdade, é característico deste comportamento
o fato dele ser impotente contra o mundo físico. Raramente nossos
gritos derrubam as muralhas de Jericó, ou somos bem sucedidos ao
ordenar ao sol para que não se mova ou para que as ondas se acalmem.
Palavras não quebram ossos. As conseqüências de tal
comportamento surgem por intermédio de uma série de acontecimentos
não menos físicos ou inevitáveis que as ações
mecânicas, mas bem mais difíceis de descrever".
(Skinner, 1978, pp. 15-16)
O trecho citado ilustra a divisão do ambiente externo em físico
e social. As interações do organismo com seu ambiente social
não são de natureza diferente daquelas interações
com seu ambiente físico; são apenas difíceis de descrever.
Essa dificuldade, entretanto, parece ser responsável pelo desenvolvimento
independente de diversas áreas da psicologia e pelas tentativas
de desenvolver-se diferentes conceitos e princípios.
1.2.2- Ambiente interno
Nas interações organismo-ambiente, sempre estão
presentes interações com o ambiente interno, seja biológico,
seja histórico, da mesma forma que interações com
o ambiente externo físico estão presentes em interações
sociais. Os quatro aspectos em que o ambiente está sendo examinado
são indissociáveis. Dois organismos interagem situados no
espaço e no tempo, e nessa interação são importantes
processos biológicos internos a cada indivíduo, bem como
as experiências passadas de cada um com outras interações
sociais. No desenvolvimento da psicologia, entretanto, também no
caso do ambiente interno, as diversas áreas progrediram independentemente.
Mais ainda que na distinção entre ambiente físico
e social, as dificuldades de descrição do que ocorre no
ambiente interno tornaram inevitável esse desenvolvimento independente.
1.2.2.1- Ambiente interno biológico
Não obstante todo o progresso da biologia, as dificuldades encontradas
atualmente pelos psicólogos interessados no substrato das interações
que estudam não são muito diferentes daquelas encontradas
por Freud no final do século passado, ou por Skinner nos anos 30.
Há progressos na área, no entanto. É possível
afirmar-se que alterações internas do organismo participam
das interações organismo-ambiente tanto como estímulos
que controlam respostas que os antecedem ou os seguem, quanto como respostas
controladas pelos estímulos componentes da interação,
como veremos mais adiante.
1.2.2.2- Ambiente interno histórico
Em todas as orientações teóricas da psicologia,
a história passada de interações organismo-ambiente
tem um papel considerável na explicação de interações
presentes. Seja através do conceito de traço dos psicólogos
gestaltistas, seja por meio do conceito de história passada de
reforçamento dos comportamentalistas, presume-se que o organismo
age agora não apenas em função do ambiente externo
presente. É muitas vezes apenas tácita, outras vezes explícita,
a pressuposição de que o organismo transporta consigo os
resultados de interações passadas. O conhecimento atual
acerca do sistema nervoso central é insuficiente e não oferece
perspectivas de uma descrição do ambiente interno histórico
ao nível da fisiologia nervosa. Nestas condições,
dois tipos de teorias surgem, ambas referindo-se a eventos na história
passada do organismo, sem referência à maneira como essa
história é transportada. Ou discorrem sobre um aparato mental,
apenas conceitual, como nas várias versões atuais da psicanálise,
ou referem-se a contingências passadas, observadas ou hipotéticas,
como nas também variadas versões atuais do comportamentalismo.
1.2.3- Indissociabilidade dos vários níveis de interações
organismo-ambiente
"Um vago senso de ordem emerge de qualquer observação
demorada do comportamento humano. Qualquer suposição plausível
sobre o que dirá um amigo em dada circunstância é
uma previsão baseada nesta uniformidade. Se não se pudesse
descobrir uma ordem razoável, raramente poder-se-ia conseguir eficácia
no trato com os assuntos humanos. Os métodos da ciência destinam-se
a esclarecer estas uniformidades e torná-las explícitas.
As técnicas do trabalho de campo do antropólogo e do psicólogo
social, os procedimentos da clínica psicológica, e os métodos
experimentais rigorosos de laboratório estão todos dirigidos
para este final, assim como os instrumentos matemáticos e lógicos
da ciência."
(Skinner, 1967)
"Comportamento e ambiente são termos difíceis de manejar,
pois têm significados demasiado amplos. Assim que tentamos utilizá-los,
nos deparamos formulando as questões: "Que tipo de comportamento?
Que aspecto do ambiente?". Esta é outra maneira de afirmar
que, sempre que tentamos descrever o comportamento ou o ambiente de um
organismo, somos forçados a decompô-lo em partes. A análise
é essencial para a descrição, em nossa ciência,
tanto quanto em outras".
(Keller e Schoenfeld, 1950, p.3)
A decomposição do conceito de ambiente em externo, físico
ou social; e interno em biológico ou histórico, é
apenas um recurso de análise útil para entender-se a fragmentação
da psicologia em diversos campos, e para apontar os diversos fatores que,
indissociáveis, participam das interações estudadas
pelos psicólogos. Sem a decomposição necessária
para a análise, o todo é ininteligível. Por outro
lado, a ênfase exclusiva nas partes pode levar a um conhecimento
não relacionado ao todo. O jogo de ir e vir, de atentar para a
interrelação das partes na composição do todo,
é essencial para o entendimento das interações organismo-ambiente.
1.2.4- COMPORTAMENTO
Assim como o ambiente pode ser analisado em diferentes níveis,
o comportamento pode ser entendido em diferentes graus de complexidade.
Não é a quantidade ou qualidade de músculos ou glândulas,
ou os movimentos executados, o que importa. O comportamento não
pode ser entendido isolado do contexto em que ocorre. Não há
sentido em uma descrição de comportamento sem referência
ao ambiente, como não há sentido, para a psicologia, em
uma descrição do ambiente apenas. A descrição
"Maria correu" é inútil para uma análise
do comportamento. Sem antecedentes e consequentes do evento descrito,
nada se pode concluir do episódio. Os conceitos de comportamento
e ambiente, e de resposta e estímulo, são interdependentes.
Um não pode ser definido sem referência ao outro.
"Quando nos lançamos a construir uma ciência do comportamento,
somos imediatamente confrontados a dois problemas. O primeiro problema
é o de dizer quanto do que ocorre no mundo é considerado
comportamento. Todas as mudanças em estados dos organismos são
comportamentos, ou apenas parte delas? E se apenas parte delas, então
quais?...O segundo problema é o de selecionar unidades de comportamento.
Como deve o comportamento ser dividido em unidades de maneira a tornar
possível uma explicação?... Felizmente, não
é necessário ser possível afirmar exatamente o que
é comportamento antes de iniciarmos a construção
de uma ciência do comportamento. Podemos isolar algumas instâncias
do comportamento e começar por estudá-las, mesmo que não
seja possível definir exaustivamente o que é e o que não
é comportamento".
(Schick, 1971, p.413)
"Através de análise, os psicólogos chegaram
aos conceitos de estímulo e resposta. Um estímulo pode ser
provisoriamente definido como 'uma parte, ou mudança em uma parte,
do ambiente', e uma resposta pode ser definida como 'uma parte, ou mudança
em uma parte do comportamento'. Devemos reconhecer entretanto, que um
estímulo não pode ser definido independentemente de uma
resposta".
(Keller e Schoenfeld, 1950, p.3)
1.3- O modelo de Staddon para o estudo de interações
Devemos a Hume a noção atual dos conceitos de causa e efeito.
A é causa do evento B se a sucessão AB é invariável.
No sentido corrente, causa é uma mudança em uma variável
independente, e efeito uma mudança em uma variável dependente,
e a relação de causa e efeito uma relação
funcional (Skinner, 1967). Em uma correlação, a sucessão
invariável AB pode ser observada, e a distinção entre
causa e correlação depende da experimentação.
Somente através da manipulação da variável
independente é possível afirmar-se algo a respeito de uma
relação funcional. A mera observação de uma
sucessão invariável pode perfeitamente referir-se apenas
a uma correlação: A e B ocorrem juntos em virtude de uma
variável independente, C.
Note-se, entretanto, que uma causa é invariavelmente seguida por
seu efeito apenas sob certas condições. A perda de um parente
próximo, por exemplo, será seguida ou não de depressão
dependendo de fatores como a idade de quem morreu, a idade do parente
que sobrevive, o grau de parentesco, o grau de afetividade no relacionamento,
a duração da enfermidade, a magnitude da herança,
etc. No exemplo, a relação funcional perda de parente próximo-depressão
exógena depende de variáveis de contexto, que são
os fatores apontados (Staddon, 1973). Staddon, em um artigo sobre a noção
de causa em psicologia, mostra como a noção de contexto
não é limitada temporalmente. Contexto não se refere
apenas a carcterísticas atuais do ambiente externo. No nosso exemplo,
o grau de afetividade pode ter se estabelecido há anos, através
de interações envolvendo os dois parentes, e exerce sua
influência mesmo que a morte ocorra num período em que os
dois não se comunicam há muito tempo.
O exemplo serve também para exemplificar a arbitrariedade na escolha
do que é causa e do que é contexto. Poderíamos falar
da relação funcional grau de parentesco-depressão,
dado o contexto da morte de um parente próximo. A seleção
de uma variável como causa e a designação de outras
como contexto vai depender de quais são os interesses envolvidos
no estudo, pois quando variáveis de contexto são consideradas,
uma relação de causa e efeito é apenas um instrumento
para a descoberta de princípios de maior generalidade. Princípios
são a descrição mais econômica do conjunto
de relações causais e variáveis de contexto que dão
origem a eles. Um sistema de relações funcionais bem definidas
resultará em uma teoria útil se também vier acompanhado
de especificações de onde, no ambiente externo, as variáveis
independentes e as variáveis de contexto devem ser encontradas,
além de instruções sobre como detectá-las
e/ou medi-las. Causas, pois, são os ingredientes primários
e empíricos com os quais se constroem explicações
(teorias) mais compreensivas. Portanto, o termo "causa" tem
sentido apenas dentro de uma teoria ou modelo. Não há uma
causa real de um dado evento. Há apenas modelos do mundo mais ou
menos adequados, e sempre passíveis de modificação,
de acordo com critérios como predição, simplicidade
e generalidade, entre outros (Staddon, 1973).
1.4- A contingência como instrumento para o estudo de interações
Na análise do comportamento, o têrmo contingência
é empregado para se referir a regras que especificam relações
entre eventos ambientais ou entre comportamento e eventos (Skinner,1967;
Weinggarton e Mechner,1966; Schwartz e Gamzu, 1977. O enunciado de uma
contingência é em forma de afirmações do tipo
"se, então". A cláusula "se" pode especificar
algum aspecto do comportamento (Weigarten & Mechner,1966) ou do ambiente
(Schwartz e Gamzu,1977), e a cláusula "então"
especifica o evento ambiental consequente. Assim como relações
funcionais são instrumentos na busca de princípios mais
gerais, contingências são utilizadas pelo psicólogo
experimental na procura de relações funcionais. As contingências
são as definições de variáveis independentes
na análise experimental do comportamento. Weingarten e Mechner
(1966) distinguem contingências enquanto definições
de variáveis independentes de proposições empíricas
associadas às contingências. Quando a cláusula "se"
refere-se a algum aspecto do comportamento, como numa contingência
do tipo "se ocorrer um aumento na produção, então
o salário será aumentado", uma proposição
empírica seria da forma "se um aumento na produção
resultar em aumento no salário, a produção aumentará".
A descrição da relação funcional entre aumentos
no salário se completa com a indicação das variáveis
de contexto, isto é, com a indicação das condições
sob as quais a relação funcional será observada.
1.5- RESUMO E CONCLUSÕES
A psicologia estuda interações de organismos vistos como
um todo, com seu meio ambiente. Ocupa-se fundamentalmente do homem, ainda
que para entendê-lo, muitas vezes tenha que recorrer ao estudo do
comportamento de outras espécies animais. As interações
organismo-ambiente são tais que podem ser vistas como um "continuum"
onde a passagem da psicologia para a biologia ou para as ciências
socias é muitas vezes questão de convencionar-se limites
ou de não se preocupar com eles.
As interações organismo-ambiente têm historicamente,
caracterizado áreas da psicologia, dependendo de quais sub-classes
de interações são consideradas. Há áreas
da psicologia especializada em interações organismo-ambiente
externo físico (ergonomia, por exemplo) e outras em interações
com o ambiente externo social (psicologia organizacional, por exemplo).
A decomposição do conceito de ambiente em externo (físico
ou social), e interno (biológico ou histórico) é
apenas um recurso de análise útil para entender-se a fragmentação
da psicologia em diversos campos, e para apontar os diversos fatores que,
indissociáveis, participam das interações estudadas
pelo psicólogo.
Através da análise de interações organismo-ambiente,
os psicólogos chegaram aos conceitos de estímulo e resposta.
Os conceitos de comportamento e ambiente, estímulo e resposta são
interdependentes. O comportamento não pode ser entendido isolado
do contexto em que ocorre.
A análise experimental do comportamento utiliza-se de contingências
e de relações funcionais como instrumentos para o estudo
de interações organismo-ambiente. O experimentador manipula
contingências em busca de relações funcionais e das
condições (variáveis de contexto) nas quais podem
ser observadas. Um sistema de relações funcionais constituirá
uma teoria útil se vier acompanhado de especificações
de onde e quando, no ambiente externo, as variáveis independentes
e as variáveis de contexto devem ser encontradas.
1 Dualismo: qualquer ponto de vista que implique numa diferença
básica entre mente e corpo, e, portanto, numa relação
a ser explicada.
2 Monismo: qualquer ponto de vista que ignora seja corpo ou mente, ou
que os reúna sob uma mesma rubrica.
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